Dre’Mont Jones: a força disruptiva pelo meio do futuro (e do presente?)

Um miolo de linha defensiva com Derek Wolfe, Adam Gotsis e Shelby Harris somados a Von Miller e Bradley Chubb nas pontas. Ainda tem a incerteza com DeMarcus Walker e ainda tem a possibilidade do nosso querido Domata Peko retornar pra um último ano. Aí te pergunto meu caro leitor: tem como melhorar isso? Tem. Acredite.

John Elway manteve o ritmo das excelentes escolhas no 1º e 2º dia de Draft e selecionou na 71ª escolha (3ª rodada) o DL Dre’Mont Jones, de Ohio State. Digo Defensive Lineman porque Dre’Mont Jones é um jogador versátil que pode jogar em diversos pontos da linha defensiva. Na minha opinião, Jones será lapidado nesse primeiro ano e entrará na rotação com nossos DT’s. Só o tempo dirá, mas acredito que nosso calouro de 3ª rodada tem chances de ser um dos titulares da DL do futuro, podendo ser utilizado como DT ou até um DE, nas diversas formações de Vic Fangio.

Apesar de ser considerado um Draft majoritariamente defensivo, os Broncos escolheram 3 jogadores ofensivos de forma consecutiva, nas duas primeiras rodadas. Obviamente o ataque tinha um espaço maior para adicionar talentos. Mas, não tenha dúvidas, a escolha de Jones foi excelente. Para se ter uma noção do quão bom foi o valor dessa escolha, eis aqui um dado interessante: apenas Quinnen Williams teve mais pressões ao QB no College no ano passado, na comparação entre os jogadores da posição de Defensive Tackle. Vale destacar que Williams foi a 3ª escolha geral do Draft e é considerado por muitos o melhor jogador do Draft desse ano. Dre’Mont Jones liderou a Big Ten em pressões, entre os Interior Lineman elegíveis ao Draft. E com larga vantagem.

Na 3ª rodada, o valor dessa escolha, numa posição de futura carência e necessidade de rotação, é muito bom. A maioria dos analistas e Mock Drafts colocavam Jones como um talento de 2ª rodada, então, de fato, havia chance do mesmo ter sido selecionado com uma das nossas 2 escolhas de 2ª rodada. Consegui-lo numa 3ª rodada pode vir a ser um steal, apesar de grande parte da torcida ter uma clara preferência por uma seleção daquela que, mesmo após o Draft, permanece sendo nossa principal carência: um Inside Linebacker bom na cobertura de passes.

John Elway teve a chance de draftar um ILB, Devin Bush, na 10ª escolha geral antes de selar a troca com os Steelers e se realmente estivesse apaixonado pela escolha quase que unânime da torcida pro 2º dia de Draft, Mack Wilson, poderia ter subido na 5ª rodada para garantir seus serviços antes dos Browns pegarem Wilson uma escolha antes da nossa 148ª escolha geral. Na verdade, Elway não fez esforço algum para selecionar um jogador nessa posição de necessidade, o que nos faz pensar sobre e será comentado num texto futuro (ou em um podcast, se for a vontade do povo). Fato é que Elway e Fangio, aparentemente, consideram posições do ataque e de linha defensiva muito mais importantes para serem reforçadas. Dre’Mont pode ter impacto imediato e endereça uma posição que a rotação é essencial, talvez até mais que a posição de ILB.

Falando um pouco mais sobre Jones, sua principal marca é seu atleticismo aliado ao seus primeiros passos. Tem boa capacidade de infiltração no pocket e uma habilidade de pass rusher acima da média, sem falar na sua já comentada versatilidade. Elway tem um grande apreço por jogadores que tem a capacidade de derrubar os QBs alheios, enquanto Fangio valoriza jogadores que executem funções variadas para confundir os adversários. Vale destacar o quanto o pass rush pelo meio foi importante para o sucesso do Fangio nos Bears, com Akiem Hicks e Eddie Goldman.

O ponto negativo de Jones é o seu tamanho um pouco insatisfatório para a posição e, principalmente, seu trabalho contra o jogo corrido, mas nada que não tenha solução. A defesa como um todo de Ohio State não foi lá essas coisas contra o jogo terrestre dos adversários. A lesão de Nick Bosa também não ajudou muito, mas mesmo com todos esses problemas Dre’Mont Jones assumiu a liderança e carregou a defesa. Em 3 anos de Ohio State, ele teve 22 tackles para perda de jardas, sendo 13 só na sua última temporada. 2018 inclusive foi um ano incrível para Jones, o melhor de sua carreira. Então fica claro que talento para derrubar qualquer um, seja no backfield seja o próprio QB, nosso novo jogador de linha defensiva tem.

Sem falar que temos bons jogadores contendo o jogo corrido, como Derek Wolfe, Shelby Harris e Adam Gotsis. Todos esses, inclusive, encontram-se em situações de fim de contrato, o que nos leva a crer que Jones é uma possível reposição a esses jogadores. Mas temos outro jogador nesse mix que deve ser levado em conta e que pode ter sido o grande perdedor dessa nossa escolha de 3ª rodada: DeMarcus Walker.

Se tudo der certo, Dre’Mont Jones será tudo aquilo que se esperava de Walker, ou seja, um pass rusher de terceiras descidas em situações claras de passe, aproveitando os bloqueios duplos que Von Miller e Bradley Chubb receberão pelas pontas e colapsando o pocket pelo miolo. Repito: é uma escolha que faz muito sentido e que pode ter impacto ainda esse ano. Precisa de refinamento e processamento mental para evitar bloqueios duplos, além de ganhar um pouco de massa pra ser mais dominante na fisicalidade, mas tenha isso em mente: Dre’Mont Jones é o novo brinquedinho de Bill Kollar, nosso técnico de linha defensiva. Tenha certeza que Bill Kollar está empolgado. Nós também estamos.